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Santiago Peña é destituído pelo Senado e preso pela Polícia Federal no Paraguai

06/11/2026

Em um desfecho rápido de uma grave crise político-financeira, o ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, foi preso pela Polícia Federal em sua residência em Assunção nesta sexta-feira, 6. A prisão ocorreu minutos após o Senado paraguaio aprovar por unanimidade a sua destituição do cargo por meio de um processo de impeachment.

A medida foi determinada por uma força-tarefa formada por 4 promotores do Ministério Público, que apuram crimes de gestão fraudulenta, lesão de confiança, enriquecimento ilícito e tráfico de influência. Sem a prerrogativa de foro privilegiado decorrente do cargo executivo, Peña responderá às acusações perante a Justiça ordinária.

O estopim para a derrocada do governo foi o colapso do Ueno Bank, instituição financeira que entrou em processo de intervenção e resolução pelo Banco Central do Paraguai (BCP) no início desta semana, após apresentar índices de solvência críticos. O encerramento das operações deixou cerca de 3 milhões de clientes sem acesso imediato aos seus fundos, desencadeando intensos protestos populares por toda a capital paraguaia.

Peña esteve no centro do escândalo por causa de seus fortes vínculos com a instituição.
O ex-presidente admitiu ter sido acionista do grupo controlador até março de 2025, além de ter ligações de familiares em empresas relacionadas à holding.

O Ueno Bank administrava cerca de US$ 850 milhões em fundos estatais, incluindo verbas do Instituto de Previdência Social paraguaio.
Peña havia nomeado para a presidência do Banco Central o executivo Carlos Carvallo, antigo diretor da instituição financeira. Carvallo também renunciou ao cargo no BCP esta semana e teve sua prisão decretada no mesmo processo.

Na quinta-feira, 5, após a perda de apoio da base aliada do Partido Colorado e a aprovação do pedido de acusação pela Câmara dos Deputados, Peña chegou a publicar um pronunciamento em rede nacional anunciando sua renúncia.

O Congresso, contudo, recusou a manobra política e deu continuidade ao julgamento político. Em votação definitiva no Senado nesta sexta-feira, 44 senadores aprovaram o impeachment de forma unânime.

Com a destituição do mandatário, o vice-presidente Pedro Alliana — que teve a denúncia contra si rejeitada pela Câmara dos Deputados durante o processo, assumiu a Presidência da República para completar o mandato, que se estende até agosto de 2028.

O Ministério Público paraguaio solicitou o bloqueio cautelar das contas e bens de Peña, enquanto os depositantes aguardam a liberação das garantias do Fundo de Garantia de Depósitos.