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Crise no Paraguai: Presidente deixa o cargo em meio a processo de impeachment

06/11/2026

A instabilidade política voltou a dominar o cenário no Paraguai. O presidente Santiago Peña apresentou sua renúncia ao cargo no início do processo de impeachment instaurado pelo Congresso Nacional. O estopim para a queda do chefe de Estado foi uma severa crise financeira e institucional deflagrada pela intervenção do Banco Central do Paraguai no Ueno Bank.

A instituição financeira digital, da qual Peña já havia sido acionista, teve suas operações suspensas e seus ativos bloqueados temporariamente. A paralisação afetou milhões de correntistas em todo o país, provocando corridas bancárias, pânico generalizado e intensas manifestações populares na capital, Assunção.

O episódio levantou fortes suspeitas de irregularidades no governo. A oposição e setores da sociedade civil apresentaram denúncias formais apontando conflito de interesses devido às ligações do presidente com o grupo financeiro, além do suposto uso indevido de fundos da previdência social direcionados ao banco. Também surgiram acusações de que o Executivo teria omitido alertas prévios sobre a fragilidade do sistema para proteger aliados políticos.

Além da pressão popular nas ruas, a crise financeira acelerou a perda de governabilidade de Peña no Poder Legislativo. O ex-presidente chegou ao poder com o suporte da ala Honor Colorado, liderada pelo ex-mandatário Horacio Cartes, mas enfrentava dificuldades para manter a coesão do Partido Colorado. Com o agravamento do escândalo, a base aliada se fragmentou no Congresso Nacional. Lideranças partidárias retiraram o apoio ao governo para conter o desgaste político da legenda.

Diante do avanço do processo de impeachment e sem margem de apoio no Senado para barrar a destituição, Santiago Peña optou por renunciar ao cargo antes da votação final. Com a vacância da chefia do Executivo, o vice-presidente Pedro Alliana assumiu o comando do país para dar continuidade ao mandato presidencial.

A renúncia de Peña reforça um padrão histórico de transições céleres e crises políticas no Executivo paraguaio. Em março de 1999, o presidente Raúl Cubas renunciou após violentos protestos desencadeados pelo assassinato de seu vice-presidente. Em 2012, Fernando Lugo foi destituído por meio de um impeachment concluído em menos de 36 horas. Já em 2017, tentativas de alterar a Constituição para permitir a reeleição resultaram em graves confrontos e no incêndio da sede do Congresso Nacional.

A crise atual expõe novamente a sensibilidade do sistema político do Paraguai diante de denúncias de corrupção e reafirma o papel central do Congresso Nacional e da coesão do Partido Colorado para a sustentabilidade dos governos no país.